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Usar inteligência artificial em engenharia não significa entregar a direção do produto para um modelo. Significa construir um ambiente em que intenção, contexto, execução e avaliação trabalhem juntos.
Metodologia não é uma coleção de nomes
Eu não trato cada conceito como uma receita isolada. SDD, engenharia de contexto, avaliações e revisão humana resolvem partes diferentes do mesmo problema: como transformar uma intenção em software confiável sem perder rastreabilidade.
A combinação muda conforme o projeto. Um site institucional não precisa do mesmo processo de um sistema financeiro, de uma automação com acesso a dados de clientes ou de um agente capaz de executar ações externas.
Spec Driven Development
No desenvolvimento orientado por especificações, a equipe registra o que precisa ser construído, os limites, os critérios de aceite e as decisões relevantes antes de depender do código como única fonte de verdade.
Na prática, trabalho com uma sequência próxima de intenção, especificação, plano, tarefas, implementação e validação. O nível de detalhe cresce junto com o risco. Uma boa especificação não precisa ser longa; precisa eliminar as ambiguidades que gerariam retrabalho.
Uso SDD para alinhar pessoas e agentes. A especificação orienta o trabalho, mas continua aberta a revisão quando o contexto muda.
Loop Engineering e Harness Engineering
Loop Engineering organiza ciclos em que um agente planeja, executa, observa testes ou resultados e decide o próximo passo. O valor não está em repetir comandos, mas em desenhar um ciclo com sinais confiáveis de sucesso e falha.
Harness Engineering amplia essa ideia. O foco passa a ser o ambiente em que o agente trabalha: documentação, ferramentas, permissões, testes, observabilidade, limites e pontos de revisão. Humanos definem intenção e controles; agentes executam dentro desse espaço.
Context Engineering e RAG
Context Engineering cuida das informações que chegam ao modelo: instruções, arquivos, histórico, ferramentas, memória e dados recuperados. Mais contexto não significa necessariamente melhor resultado. A qualidade depende de selecionar o que é relevante para a decisão atual.
RAG é uma das formas de recuperar informações externas antes de gerar uma resposta. Ele é útil quando o sistema precisa consultar documentação, conhecimento interno ou dados que mudam. Não é obrigatório em todo produto e não substitui autorização, validação da fonte ou regras de acesso.
Agentic Workflows e sistemas com múltiplos agentes
Um workflow segue caminhos definidos pelo software. Um agente decide dinamicamente como usar ferramentas e alcançar um objetivo. Eu prefiro workflows quando o processo é previsível e agentes quando a flexibilidade compensa custo, latência e risco.
Multi Agent Collaboration pode dividir planejamento, implementação, segurança e avaliação entre agentes especializados. Essa arquitetura só faz sentido quando a divisão melhora o resultado. Para muitos problemas, um único agente com ferramentas claras é mais simples e confiável.
Desenvolvimento orientado por avaliações
Antes de alterar prompts, modelos ou regras, defino exemplos representativos do comportamento esperado. As avaliações podem verificar respostas, uso de ferramentas, segurança, custo, latência e conclusão correta de uma tarefa.
Casos reais que falharam viram novos testes. Assim, o sistema aprende com a operação sem depender apenas da percepção de que uma resposta parece boa.
- Avaliações offline antes de uma mudança chegar à produção.
- Observabilidade e rastreamento das decisões do agente.
- Conjuntos de casos reais e situações de falha.
- Comparação de qualidade, custo e tempo de resposta.
Human in the Loop, permissões e responsabilidade
Revisão humana não precisa interromper cada ação. Ela deve existir nos pontos em que uma decisão pode afetar dinheiro, dados, clientes, segurança ou outras pessoas.
O sistema também precisa limitar quais ferramentas o agente pode usar, exigir confirmação para ações sensíveis e registrar o que aconteceu. Autonomia útil é autonomia com limites compreensíveis.
Agentes de longa duração e handoffs estruturados
Tarefas longas atravessam janelas de contexto e sessões diferentes. Para manter continuidade, uso planos, registros de progresso, estado verificável e artefatos que permitam ao próximo ciclo entender o que já foi feito.
Uma arquitetura recente combina agentes de planejamento, execução e avaliação. O avaliador transforma critérios subjetivos ou funcionais em verificações concretas. Isso pode elevar a qualidade, mas também aumenta custo e complexidade, por isso deve ser proporcional ao valor da tarefa.
Como aplico isso em projetos
Começo pelo problema e pelo risco, não pela ferramenta. Defino o que precisa ser verdade para considerar a entrega concluída, organizo o contexto, escolho o nível de automação e crio sinais que permitam avaliar o resultado.
O método deve tornar o trabalho mais claro para o cliente e para quem dará continuidade ao produto. Se uma prática adiciona cerimônia sem melhorar decisão, segurança ou capacidade de entrega, ela precisa ser simplificada.
Fontes e leituras relacionadas
Este material apresenta minha forma de trabalhar e tem caráter educativo. A solução adequada depende do contexto, dos riscos e das responsabilidades de cada projeto.
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